Ronaldo
Laranjeira, professor titular de psiquiatria e dependência química da Unifesp
(Universidade Federal de São Paulo), explica que há um conceito fixo na
medicina que afirma que o organismo se livra do equivalente a uma dose de
álcool por hora. "Uma dose pode ser uma taça de vinho ou chope, ou ainda
um daqueles copos bem pequenos de destilado, que o fígado levará cerca de uma
hora para metabolizar o álcool no corpo humano", explica.
Sendo assim,
se uma pessoa de aproximadamente setenta quilos ingeriu três copos de chope,
por exemplo, ela terá de esperar três horas para dirigir. Caso tenha tomado dez
taças de vinho, serão necessárias dez horas para que o organismo esteja livre
dos efeitos do álcool.
Mas o médico
esclarece que os efeitos do álcool variam de acordo com cada pessoa e com uma
série de fatores: "Se o indivíduo bebe com o estômago vazio, os efeitos do
álcool pelo corpo podem aparecer mais rápido, assim como o corpo feminino
demora mais para metabolizar o álcool". Por isso, a Polícia Rodoviária
Federal recomenda que se espere pelo menos 12 horas antes de dirigir após a
ingestão de álcool.
Uma dica
importante de Ronaldo Laranjeira é controlar a quantidade de álcool ingerida.
Por exemplo, se alguém ficar duas horas na casa de uma pessoa jantando e,
durante esse período, consumir apenas duas taças de vinho ou dois copos de
chope, provavelmente estará pronto para dirigir pouco depois da refeição, pois
cada copo de bebida foi consumido ao longo de uma hora, tempo necessário para o
organismo metabolizar o álcool.
Não existe
nada que se possa fazer para acelerar o processo do metabolismo do álcool no
corpo, a despeito de algumas crenças como ingerir café, aspirina, tomar banho
gelado ou comer enquanto se bebe. "Nada acelera este limite de uma hora
por dose. Se você der um banho gelado em uma pessoa bêbada, você terá um bêbado
limpo, mas não vai acelerar a recuperação do sujeito", explica Laranjeira.
LEI SECA
O QUE É?
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Define que é
crime dirigir com a capacidade psicomotora alterada em razão da ingestão de
bebidas alcoólicas ou de outras substâncias químicas
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QUAIS AS
PROVAS?
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- Bafômetro
ou exame de sangue que indique mais de 6 dg/l de álcool no sangue
- Testemunho dos agentes policiais e/ou de pessoas próximas, exame clínico e quaisquer provas que valeriam para outros tipos de crime |
PUNIÇÕES
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- Multa de
R$ 1.915,40 (o valor dobra se o motorista for pego dirigindo embriagado
novamente dentro de um ano)
- Recolhimento da habilitação e do veículo - Em casos mais graves no entendimento do delegado na hora da fiscalização: detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir |
No entanto, o
mais importante para dirigir com segurança é a conscientização. Para o
especialista, no Brasil ainda é preciso aprender que não se deve beber e
dirigir. "Se você pensa em dirigir, não deve consumir álcool. Este é o
ponto principal que se deve pôr em prática no país. O brasileiro tem de se
planejar antes de sair para festas ou locais onde é possível beber. As pessoas
têm que encontrar formas de se locomover, o que já acontece nos países
desenvolvidos".
Informações
oficiais
O site da Polícia
Rodoviária Federal também dá algumas dicas que podem ajudar o
motorista que ingeriu álcool a esclarecer dúvidas. As informações oficiais
apontam que não existem "parâmetros confiáveis" para estipular o
tempo de metabolização do álcool no organismo, por isso é recomendado que o
motorista espere ao menos 12 horas para retornar ao volante.
O site
esclarece ainda que, de modo geral, consumir o equivalente a 1 lata de cerveja,
ou 1 taça de vinho, ou 1 dose de cachaça, vodca ou uísque e conduzir um veículo
logo após o consumo é o bastante para ser multado.
O bafômetro é
capaz inclusive de detectar a presença de álcool se o teste for realizado
imediatamente após a pessoa ter consumido alimentos com a substância (como
bombom com licor, por exemplo) ou usado antisséptico bucal que contenha
álcool. Nesses casos, o site esclarece que o motorista deve informar o ocorrido
à autoridade de trânsito no momento da abordagem, para que se possa fazer bochechos
com água, no intuito de retirar resíduos de álcool da mucosa, e promover novo
teste.
Ronaldo
Marques
Do BOL, em São
Paulo.

